Se a qualidade do corte caiu “do nada”, antes de mexer em parâmetro, gás e velocidade, olhe para o item que mais apanha no cabeçote: a lente de proteção. Ela é barata perto do prejuízo que evita — e, quando passa do ponto, vira o gargalo invisível que gera refugo, retrabalho e parada de máquina.
O que é a lente de proteção e onde ela fica
A lente de proteção (também chamada por muita gente de protective window) é o “escudo” do conjunto óptico. Ela fica no cabeçote, posicionada para proteger as lentes internas (como a focal e a colimadora) contra:
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respingos do material fundido
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fumaça e partículas
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poeira metálica
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contaminação por condensação/óleo do ar comprimido (quando existe)
Em termos de processo: ela preserva o caminho do feixe. Quando está comprometida, o feixe perde eficiência e estabilidade — e o corte “desanda”.
Para que serve na prática
A função é simples, o impacto é enorme:
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Proteção do conjunto óptico: evita que sujeira e respingos atinjam lentes de maior valor.
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Estabilidade do corte: mantém o feixe “limpo” e consistente, reduzindo variação de qualidade.
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Redução de custo total: trocar a lente de proteção no tempo certo costuma ser muito mais barato do que lidar com lente focal danificada, manutenção corretiva e máquina parada.
Pense nela como um KPI de produtividade: quando você controla a lente de proteção, controla uma parte grande do retrabalho.
Quando trocar a lente de proteção
Não existe “prazo mágico” universal. A troca depende de material, espessura, volume, gases e ambiente. Então a forma mais inteligente é trocar por sinais e rotina de inspeção.
Sinais claros de que passou do ponto
Troque se houver:
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manchas amareladas/marrons (indício de queima/contaminação)
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pontos opacos ou “embaçado” que não sai com limpeza correta
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microtrincas ou lascas (mesmo pequenas)
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marcas circulares (padrão de aquecimento/contaminação no feixe)
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queda de qualidade com rebarba e perda de acabamento sem outra causa evidente
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necessidade frequente de “compensar” com parâmetros para manter o mesmo resultado
Se você precisa “forçar” o processo para cortar igual, a lente geralmente já está cobrando juros.
Periodicidade de inspeção (rotina leve, resultado grande)
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Inspeção rápida: no início do turno e após cortes críticos (muito respingo).
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Troca preventiva: quando o seu processo é repetitivo e você quer previsibilidade (produção não gosta de surpresa).
O que acontece se você não trocar a tempo
Aqui mora o prejuízo silencioso:
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piora progressiva da qualidade do corte
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aumento de refugo e retrabalho
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instabilidade (o corte varia de uma peça para outra)
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aquecimento do conjunto óptico
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risco maior de danificar componentes internos (e aí o “barato” fica caro)
Boas práticas para aumentar a vida útil
Sem “mágica”, só método:
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Manuseio limpo: luvas ou dedos sem contato na área óptica (marca de dedo vira ponto de aquecimento).
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Limpeza correta: usar itens adequados (cotonetes/lenços próprios e solução recomendada para óptica).
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Ar comprimido/gás em ordem: umidade e óleo contaminam rápido. Se o ar não estiver bem tratado, a lente vira filtro.
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Armazenamento: manter em embalagem apropriada, longe de poeira e umidade.
Governança simples, impacto direto no OEE.
Como escolher a lente certa (sem comprar errado)
Para evitar retrabalho de compra, confirme:
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diâmetro (D) e espessura
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compatibilidade do cabeçote (modelo/marca)
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aplicação e tipo de máquina (laser de fibra)
Parece básico — e é exatamente por isso que dá erro: muita gente compra “parecida” e paga duas vezes.
Checklist rápido (cola para o dia a dia)
Se você marcar 2 ou mais, já é forte candidato a troca:
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corte perdeu acabamento/rebarba aumentou
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lente com mancha que não sai na limpeza correta
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opacidade/embaçado visível
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microtrinca/lasca
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instabilidade de corte entre peças
